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Categoria: Vila

Freixo de Espada à Cinta

mjfsantos 18/04/2008 @ 10:07

Freixo de Espada à Cinta - Brasão

Freixo de Espada à Cinta é uma vila portuguesa, pertencente ao Distrito de Bragança, Região Norte e subregião do Douro, com cerca de 2 100 habitantes.

É sede de um município com 244,49 km² de área e 3 931 habitantes (2006), subdividido em 6 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Mogadouro, a leste e sul pela Espanha, a sudoeste por Figueira de Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Côa e a oeste e noroeste por Torre de Moncorvo.

(Wikipedia)



Freixo de Espada à Cinta - Vista Aerea da Vila

(Vista Aerea da Vila)

Freixo de Espada à Cinta está inserido na província de Trás-os-Montes e Alto Douro, distrito e bispado de Bragança e desde a Idade Média que faz parte do Arcebispado de Braga. Tem por Orago S. Miguel Arcanjo, adoptando os seus habitantes como Santa Padroeira Nossa Senhora dos Montes Ermos, a quem são dedicadas as festas e romaria que decorrem habitualmente durante a segunda semana do mês de Agosto.


Tem uma área aproximada é de 244,49 km2, situando-se a 41º 6`de latitude e 2º 20`de longitude a Este do meridiano de Lisboa. Fica a cerca de 180 Km a Nordeste da cidade do Porto, a 400 Km a Nordeste de Lisboa e 100 Km a Sul de Bragança, a uma altitude média de 471m.
Os limites do seu concelho são:

- A Norte, o concelho de Mogadouro;
- Oeste, o concelho de Torre de Moncorvo;
- Este, Espanha ( Província de Salamanca );
- Sul, o concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.


A cerca de 4 Km da Vila passa o rio Douro, demarcando neste concelho a fronteira entre Portugal e Espanha, e segundo Sant'Anna Dionísio “foi durante oito séculos um dos escudos mais seguros ( e politicamente menos dispendiosos) que Portugal possuiu na sua longa linha de contacto com a nação vizinha...”.
Em toda esta região se encontra arte rupestre pré-histórica, da qual o “cavalo de Mazouco” foi o primeiro sítio de arte rupestre paleolítica de ar livre descoberto no território português, e uma enorme quantidade de vestígios castrejos que ainda hoje podem ser apreciados nos seus devidos locais.

É uma terra que se desenvolve desde o inicio da nacionalidade. Tem foral entre 1155/57 outorgado por D. Afonso Henriques e ascende a vila a partir de 1240. No inicio do século XVI era uma poderosa praça de guerra cercada de muros e dotada de três torres mestras, das quais actualmente só resta uma, facetada e heptagonal exemplar único na Península Ibérica: a denominada Torre do Galo ou do Relógio.




Este concelho, tem profundas raízes históricas materializadas num vasto património artístico e cultural de onde podemos destacar a referida Torre, a Igreja Matriz, a Igreja da Misericórdia, o Pelourinho, a Igreja do Convento e um elevado número de casas com os portais e janelas decoradas com motivos de arte manuelina: meias esferas, folhagens, conchas, troncos entrelaçados, etc.

Freixo de Espada à Cinta não capta os seus visitantes apenas com o seu rico passado, mas deslumbra todos os que por aqui passam com o magnífico espectáculo das amendoeiras em flor. Os prados, as vinhas, os olivais e os laranjais ao produzirem todo o tipo de cores e aromas conferem a quem os desfruta uma visão aproximada do paraíso.
A beleza panorâmica e ciclópica proporcionada pelo imponente rochedo do Penedo Durão (727 metros), a cenografia do espectáculo natural nas estratificações silúricas do Candedo, onde está inclusa a Calçada de Alpajares de provável origem medieval, ou as paisagens deslumbrantes que se desfrutam das arribas do Douro em Lagoaça, em Mazouco ou em Ligares, concorrem também para tornar este concelho num entusiasmante local de vida e cultura.




Quem sabe não poderá o visitante destas cercanias de Freixo deparar-se com uma variedade de flor que os lavradores da região designam por “ açucena campesina” ou “açucena dos campos”, raridade botânica e verdadeiro mimo de colorido e aroma.

Freixo de Espada à Cinta - Câmara

(Câmara Municipal)

Freixo de Espada à Cinta - Igreja Matriz

(Igreja Matriz)

Freixo de Espada à Cinta - Muralha do Castelo

(Muralha do Castelo)

Freixo de Espada à Cinta - Torre do Galo

(Torre do Galo)

Texto e Fotos: cm-freixoespadacinta

 


Carrazeda de Ansiães

mjfsantos 18/03/2008 @ 16:22
Carrazeda de Ansiães - Brasão

Carrazeda de Ansiães é uma vila portuguesa, pertencente ao Distrito de Bragança, Região Norte e subregião do Douro, com cerca de 1 600 habitantes. É sede de um município com 280,91 km² de área e 7 642 habitantes (2001), subdividido em 19 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios de Murça e de Mirandela, a nordeste por Vila Flor, a leste por Torre de Moncorvo, a sul por Vila Nova de Foz Côa, a sudoeste por São João da Pesqueira e a oeste por Alijó.

O concelho tinha sede na antiga vila de Ansiães (Carrazeda de Ansiães); as suas ruínas, a sul da actual sede concelhia, situam-se no alto de uma colina, cerca da aldeia de Lavandeira. O concelho obteve foral em 1075, tendo o estatuto de vila sido confirmado por alvará de D. João V de 6 de Abril de 1734. No século XIX a sede concelhia foi transferida de Ansiães para Carrazeda, e a antiga vila foi abandonada.

(Fonte: Wikipédia)




Carrazeda de Ansiães - Fonte das Sereias
Fonte das Sereias
Foto: Manuel Moutinho

Carrazeda de Ansiães - Antiga Cadeia
Antiga Cadeia
Foto: Manuel Moutinho

Carrazeda de Ansiães - Igreja S Salvador
Igreja São salvador
Foto: Luis Rodrigues



HISTORIA DO CONCELHO

Carrazeda de Ansiães teve o seu próprio percurso Histórico, Administrativo, Judicial e até Religioso. Pelo que deverá conhecer-se uma síntese do mesmo, até para melhor compreensão da actual realidade daquele concelho.

É na extinta Vila de Ansiães, situada a cerca de 4 quilómetros da actual sede municipal, que começa a administração daquela zona territorial. Carrazeda era, nessa altura, um lugar com poucas habitações e pessoas, situado já na zona planáltica para norte do Castelo de Ansiães.

Assim é indicado nos Forais da Vila de Ansiães: o 1º pensa-se que tenha sido dado por Fernando o Magno, Rei de Leão e Castela no século XI, e depois confirmado por D. Afonso Henriques por volta de 1160. D. Sancho I volta a confirmar este foral em 6 de Abril de 1198. D. Afonso II reconfirma-o em Guimarães em Abril de 1219.
Mais tarde, D. Manuel I dá-lhe Novo Foral a 1 de Junho de 1510.

Em 1384 D. João I manda os moradores dos lugares de Freixiel, Murça e Abreiro "prestarem adua nos muros", ajudando a dar mais resistência com cinturas fortes e torres defensivas e usando pedra maior, pois até aí era miúda. E, em 1443 o regente D. Pedro deu aos seus moradores os "resíduos" (imposto) das Vilas de Freixiel, Abreiro e Vilarinho da Castanheira para consertar os muros, devendo auxiliar os moradores.

Os arranjos dos muros da fortaleza de Ansiães foram também efectuados às custas das terças reais em 1580 e 1591. Em 1640, quando se deu a restauração da Independência de Portugal, expulsando os reis Filipes de Espanha, o povo reforçou e arranjou partes do Castelo.

A importância do Castelo de Ansiães na defesa da região e nomeadamente da linha do Rio Douro foi assim contínua desde a Formação de Portugal até ao século XVII. Na Vila tinham os seus solares famílias importantes, como os Mesquitas, os Magalhães e os Sampaios.

É nesta altura que o povoado de Carrazeda começa a ganhar mais importância, enquanto que a Vila de Ansiães deixa de ter esse enorme valor defensivo e municipal, e entra em estagnação e até certa decadência.
Em 1721 tinha a Vila de Ansiães "2 Juízes ordinários, 3 vereadores, 1 procurador, 2 almotacéis, hum Juiz de Órfãos, 4 tabeliães... 1 escrivão de Câmara e 1 alcaide".

E para Regimen da Milícia tem Cappitam mor e sargento mor, e cinquo Companhias com cinquo cappitans e ofticiaes, a saber a 1.ª da Vila, a 2.ª do Seixo, a 3.ª da Fonte Longa, a 4.ª do Pinhal da Ribeira e a 5.ª de Linhares". O golpe fatal é dado com o bacharel José Álvaro d'Almeida. Os nobres e homens bons tinham-se ausentado dela indo com D. Sebastião para Álcácer-Quibir (África), desaparecendo a acção das leis e da Justiça. Então era o Juiz de Fora que representava o rei e em 1734 foi nomeado aquele bacharel para Juiz de Fora. Este consegue a mudança da Vila de Ansiães para Carrazeda.

Não se fez sem oposição, pelo que o Juiz de Fora Dr. Justiniano Ferraz de Araújo e Castro, para desfazer e acabar com os prestígios e privilégios que os da Vila tinham, manda derrubar e despedaçar o Pelourinho de Ansiães que era o símbolo da autonomia judicial.

Era elegante e tinha 4 faces cada uma com as armas reais, uma Torre com duas portas, um castelo com porta e com uma chave segura por uma mão, e ainda um Velho barbado, com os braços meio erguidos e maça na mão direita, numa atitude combativa. (Seria o Velho Ansinales).

O local começa a entrar em declínio rápido e, em meados do século XIX Ansiães estava abandonada. Ficou o Castelo, muralhas e outros monumentos ao tempo, para recordar aos vindouros a heróica época da sua existência.
Simultaneamente Carrazeda passa a ser sede do município com o nome de Carrazeda de Ansiães, e ganha outro impulso, o seu desenvolvimento a partir do antigo núcleo que fica junto da Igreja Matriz que data de 1790.

Ali são edificadas construções essenciais para qualquer município da época: o Pelourinho com coluna octogonal, 3 metros de altura e assente em 4 degraus, com o escudo nacional Joanino, e a Casa da Câmara ou Paços do Concelho que ostenta a data de 1736-1737.
A primitiva Vila de Ansiães era da coroa e chamava-se concelho. Era constituído pelos seguintes lugares:
Amedo, Beira Grande, Belver, Carrazeda, Castanheiro, Fontelonga, Luzelos, Marzagão, Mogo (de Malta), Parambos, Pinhal (do Norte), Pombal, Ribalonga, Samorinha, Selores, Seixo (de Ansiães), Zedes, e ainda as Quintas de: Alganhafres, Arcas, Arnal, Besteiros, Brunheda, Campelos, Coleja, Fontoira, Felgueira, Fiolhal, Lavandeira, Misquel, Paradela, Penafria, Tralhariz, Sentrilha.

Ao mesmo tempo a Vila e concelho de Vilarinho da Castanheira era formado pelos lugares de Carvalho de Egas, Castedo, Lousa, Mourão, Seixo de Manhoses, Valtorno, e pelas Quintas de Alagoa, Gavião, Pinhal (do Douro) e São Painho.
Ora, os lugares e quintas pertencentes ao concelho de Ansiães passaram em 1734 para o de Carrazeda de Ansiães, mas Vilarinho continuou a ser concelho.
É já no século XIX com o liberalismo e as suas reformas administrativas que o concelho de Vilarinho da Castanheira é extinto definitivamente em 31 de Dezembro de 1853, passando esta Vila juntamente com Pinhal do Douro para o concelho de Carrazeda. Lousa e Castedo foram integradas no de Torre de Moncorvo, e os restantes no de Vila Flor.

Também o concelho de Freixiel foi extinto em 1836 e as freguesias de Pereiros, Codeçais e Mogo de Malta passaram a integrar o concelho de Carrazeda.

Formava-se assim o actual concelho de Carrazeda de Ansiães, que, em número de freguesias variou ao longo dos anos, pois como se sabe, até 1936 Samorinha foi freguesia, assim como Pinhal do Douro.
Em termos religiosos Ansiães tinha três Comendas: a de S. Salvador, a de S. João e a de Linhares.

A Comenda de S. Salvador de Ansiães era da apresentação paroquial do reitor de Ansiães e englobava os seguintes lugares: Alganhafres, Ansiães, Beira Grande, Belver, Besteiros, Coleja, Fontelonga, Lavandeira, Mogo de Ansiães, Pena Fria, Samorinha, Seixo de Ansiães, Selores, Seixo das Carvas e Vale de Pedro.

A Comenda de S. João Baptista era apresentada pelo respectivo reitor e incluía os seguintes lugares: Amêdo, Areias, Brunheda, Carrazeda, Felgueira, Fontana, Luzelos, Marzagão, Paradela, Pinhal do Norte, Pombal, Sentrilha e Zêdes.

A Comenda de Linhares era também da Ordem de Cristo, do padroado real e tinha os seguintes lugares: Arnal, Campelos, Carrapatosa, Castanheiro, Fiolhal, Foz Tua, Linhares, Misquel, Parambos, Ribalonga e Tralhariz.

Pereiros, Codeçais e Mogo de Malta eram ramos da Comenda da Ordem de Malta. Vilarinho da Castanheira e Pinhal do Douro, de outro concelho na altura, eram do Cabido da Sé de Braga.

Com a redução de abadias em reitorias, veio também a reduzir-se e a limitar-se a de S. Salvador que se estendeu somente até Lavandeira e seu arrabalde, desanexando-se os outros lugares. Em 1556 funda-se a Igreja Paroquial de Santo António de Beira Grande. Em 1569 é a vez da de Selores a Igreja de S. Gregório e com a anexa Alganhafres. No reinado de D. João III funda-se a de Belver com Mogo de Ansiães, a Nossa Senhora das Neves. E a de Santa Cruz da Samorinha que até então era sujeita a Fontelonga.

Também a Comenda e a Paróquia de S. João se desanexou no Reinado de D. Sebastião: Luzelos e Quinta de Fontoura passou a ser a Igreja de Santo Amaro de Luzelos; a de Santa Águeda para Carrazeda; a de S. Gonçalo para Zedes desanexando-se da de S. Tiago de Amedo; a de Nossa Senhora das Neves de Pinhal do Norte também se desanexa de S. Lourenço de Pombal e ficando com as anexas Brunheda, Sentrilha e Felgueira. Não são referidas a de Castanheiro e Ribalonga, pelo que devem ser anteriores.

Em 11 de Setembro de 1833 a Junta do Exame do Estado Actual e Melhoramento Temporal das Ordens Religiosas propôs que as dioceses fossem reduzidas, em harmonia com as divisões administrativas.

Estava-se no período Liberal em que as reformas se sucediam com frequência. No entanto, aquela proposta não se concretizou devido a factores diversos, dos quais se destaca a interrupção das relações do governo português com a Santa Sé que só se restabelecem em 1841.

Depois disso os governos continuaram a pensar nessa redução das dioceses religiosas, mas a intenção de conservar a de Bragança manteve-se sempre.

Através das Letras Apostólicas do Santíssimo Padre Leão XIII - Gravíssimum Christi Ecclesiam Regendi et Gubernandi Manus, de 30 de Setembro de 1881, que foram executadas a 4 de Setembro de 1882 pelo Cardeal Bispo do Porto, D. Américo, as freguesias do concelho de Carrazeda de Ansiães passavam definitivamente para o Bispado de Bragança em termos religiosos.

Nas questões judiciais, nos séculos XVI e XVII os concelhos de Ansiães, Vilarinho da Castanheira e Freixiel aos quais pertenciam as freguesias que hoje constituem o actual concelho de Carrazeda, eram todos da Comarca de Moncorvo.

Em 1706 eram da Comarca e Provedoria da Vila de Torre de Moncorvo. Em 1734 pertenciam à Correição de Torre de Moncorvo e em 1762 o concelho de Carrazeda de Ansiães fazia parte ainda daquela Correição. Em 1864 era ainda da Comarca de Torre de Moncorvo.

Em 1940 Carrazeda de Ansiães era Julgado Municipal. As freguesias de Beira Grande, Carrazeda de Ansiães, Castanheira, Lavandeira, Linhares, Parambos, Seixo de Ansiães e Vilarinho da Castanheira pertenciam à Comarca de Moncorvo. As restantes eram da Comarca de Vila Flor.


(Texto: C M Carrazeda de Ansiães)


Vinhais

mjfsantos 22/01/2008 @ 11:05

Vinhais - Brasão

Vinhais é uma vila portuguesa, pertencente ao Distrito de Bragança, Região Norte e subregião do Alto Trás-os-Montes, com cerca de 2 400 habitantes.

É sede de um município com 694,68 km² de área e 10 646 habitantes (2001), subdividido em 35 freguesias. O município é limitado a norte e oeste pela Espanha, a leste pelo município de Bragança, a sul por Macedo de Cavaleiros e Mirandela e a oeste por Valpaços e Chaves .

História

A ocupação humana deste território data de tempos ancestrais, tal como se pode verificar pelos inúmeros vestígios arqueológicos que se podem encontrar nesta região: inscrições rupestres, edificações de tipo dolménico e fortificações castrejas. Esta antiguidade é reiterada pelo Abade de Miragaia:

O chão desta vila e desta paróquia foi ocupado desde tempos remotíssimos, como se infere da lenda ou história da igreja de S. Facundo, que a tradição diz ter sido fundada no tempo dos Godos. (...) Também por aqui se demoraram os Romanos, pois ao norte da vila, no monte da Vidueira, se encontraram em 1872 muitas moedas romanas bem conservadas (...).

Perto de Vinhais foi encontrada uma lápide com a seguinte inscrição: JOVI / O.M. / LOVIIS / IAIIX / VOTO / LAP (Lovesia dedicou por voto e com generoso ânimo ao grande Júpiter).

Em meados do século XIII surgiu, pela primeira vez, a referência a Vinhais, num documento de doação ao mosteiro leonês de São Martinho da Castanheira: in villa que vocitant Villar de Ossus in territorio Vinales. Nesta época, Vinhais não era um topónimo, mas sim um coronómio, visto que designava uma região, um território e não um lugar determinado.

Pensa-se que a primeira povoação de Vinhais foi construída num outeiro, próximo da margem direita do rio Tuela, mais a norte do sítio actual, ou no monte da Vidueira, ou, ainda, no monte Ciradela ou Ciradelha, na Serra da Coroa. Estas suposições justificam-se pelo aparecimento de moedas romanas, vestígios de edificações da antiga cidade romana de Veniatia e da estrada militar romana que ligava Braga a Astorga (Asturica Augusti).

Vinhais foi, primitivamente, um castro de povoamento lusitano, transformado pelos romanos em castro luso-romano, com a sua fortaleza (oppidum). Certamente, os suevos ou os visigodos cercaram a localidade de muralhas e, com a expulsão dos muçulmanos, Vinhais ficou arrasada, tendo sido repovoada na época da dominação dos reis de Castela e Leão (D. Sancho II e D. Afonso VI). Este repovoamento foi continuado pelos primeiros reis portugueses, nomeadamente com D. Afonso Henriques, D. Sancho I (O Povoador), D. Afonso II e D. Sancho II.

Vinhais recebeu foral de D. Afonso III, no dia 20 de Maio de 1253, o qual foi outorgado pelo monarca D. Manuel I, em 4 de Maio de 1512.

Quando D. João I de Castela invadiu Portugal, em 1384, devido à crise de sucessão suscitada pela morte de D. Fernando, o castelo de Vinhais foi um dos muitos que hastearam a bandeira castelhana, recusando, assim, obediência ao Mestre de Avis, futuro D. João I de Portugal.

No século XVII, Vinhais sofreu bastante com a Guerra da Restauração, devido à sua localização geográfica, tal como conta Pinho Leal, na célebre obra Portugal Antigo e Moderno:

Em 1666, achando-se em Lisboa o III conde de S. João da Pesqueira (futuro 1º Marquês de Távora, criado por D. Pedro II Regente, de 7 de Janeiro de 1670), governador de Entre Douro e Távora (...). entretanto, o general galego D. BALTAZAR PANTOJA, pôs a ferro e fogo a província de Trás-os-Montes. Em 1 de Julho 1666 entrou por Montalegre, no dia 13 de Julho caíu sobre Chaves, no dia 14 de Julho os lugares de Faiões e Santo Estêvão, defendidos pelo sargento-mór ANTÓNIO DE AZEVEDO DA ROCHA, cometendo barbaridades. Recolhendo-se D. BALTAZAR PANTOJA a Monterey, praça galega ao Norte de Verim, e passados poucos dias volveu sobre Portugal, entrando por Monforte, veio pôr cerco a Vinhais, cercando com o seu exército o castelo, que era defendido pelo governador ESTÊVÃO DE MARIS, com os habitantes da vila e mais 50 auxiliares.

Este acontecimento ficou eternizado numa inscrição que, ainda hoje, se pode ver na parede de uma casa que o defensor de Vinhais (Estêvão de Maris) fez:

ESTÊVÃO DE MARIS, GOVERNADOR DES / TA VILA DE VINHAIS, Fº DE Rº DE MORAIS DE TIO / ZELO, MANDOV FAZER ESTAS CASAS / NA E. DE MDCCVI (?) QUANDO PANTOXA / G L DO EXÉRCITO DE GALIZA COM O / MAIOR Q. SE VIO NESTA PROVÍNCIA / E LHE DEFENDEO A MURALHA CÕ / A GENTE NOBRE DA VILA E POV / QVA MAIS DE GRÃ E CÕ PERDER MVTÃ / LEVANTOU O SITIO E QUEIMOU AS / CASAS QUE FICAVÃO FORA DA MVRALHA

Actualmente, Vinhais distingue-se pelas suas paisagens verdejantes, o que originou a designação Sintra Transmontana.



Vinhais
Vinhais - Convento de Frades


Vimioso

mjfsantos 18/01/2008 @ 13:32
Vimioso - Brasão
Vimioso - Igreja Matriz
Vimioso - Igreja Matriz
Vimioso - Largo
Vimioso - Praça
Vimioso - Edificio
(Fotos: Wikimédia.com)


Vimioso (em mirandês Bumioso) é uma vila portuguesa, pertencente ao Distrito de Bragança, Região Norte e subregião do Alto Trás-os-Montes, com cerca de 1 200 habitantes.

É sede de um município com 481,47 km² de área e 5 315 habitantes (2001), subdividido em catorze freguesias. O município é limitado a norte pela Espanha (Alcanizes), a leste pelo município de Miranda do Douro, a sul por Mogadouro, a oeste por Macedo de Cavaleiros e a noroeste por Bragança.

Em duas aldeias deste concelho, Angueira e Vilar Seco, fala-se o mirandês. Há ainda registo de falantes em Caçarelhos, mas se pensa que ali terá deixado de se usar generalizadamente nos últimos anos.

(Wikipedia)



Mogadouro

mjfsantos 31/12/2007 @ 13:14

Mogadouro - Brasão

Mogadouro é uma vila portuguesa, pertencente ao Distrito de Bragança, Região Norte e subregião do Alto Trás-os-Montes, com cerca de 3 600 habitantes.

É sede de um município com 757,98 km² de área e 11 235 habitantes (2001), subdividido em 28 freguesias. O município é limitado a norte pelos municípios de Macedo de Cavaleiros e de Vimioso, a nordeste por Miranda do Douro, a sueste pela Espanha, a sul por Freixo de Espada à Cinta e por Torre de Moncorvo e a oeste por Alfândega da Fé.

O concelho recebeu foral de D. Afonso III em 27 de Dezembro de 1272.

  • Nesta região, além do português, fala-se sua própria língua: a língua mirandesa.

(Wikipedia)



Mogadouro - Câmara MunicipalMogadouro - Convento

(Fotos: Paulo Moreira)



Mogadouro - CasteloMogadouro - IgrejaMogadouro - Vista

(Fotos: Antero)



HISTÓRIA DO CONCELHO

O concelho de Mogadouro, a uma altitude média de setecentos metros, estende-se por uma área de 756 km2, numa zona essencialmente planáltica. As excepções são os conhecidos “cumes do Mogadouro”, que se elevam a cerca de novecentos metros. É um amplo território, no extremo oriental de Portugal, que está repartido pelas bacias dos rios Douro e Sabor.
Divide-se, o concelho de Mogadouro, em 56 aglomerados populacionais, integrados em vinte e oito freguesias: Azinhoso, Bemposta, Bruçó, Brunhoso, Brunhozinho, Castanheira, Castelo Branco, Castro Vicente, Meirinhos, Mogadouro, Paradela, Penas Roias, Peredo Bemposta, Remondes, Saldanha, Sanhoane, S. Martinho do Peso, Soutelo, Tó, Travanca, Urrós, Vale da Madre, Vale de Porco, Valverde, Ventozelo, Vila de Ala, Vilar de Rei e Vilarinho dos Galegos. Uma população que ultrapassou já os vinte mil habitantes.
Toda a vida destas terras passa de forma decisiva pelo clima. Um clima com duas faces distintas: um Inverno rude, frio e com muita chuva e neve; um Verão, por seu lado, muito quente, típico dos climas continentais, por vezes sufocante. A paisagem, fruto de uma localização muito influenciada pelo clima atlântico, continental e mediterrânico, é muito diversificada e abundante. Proporciona assim recursos agrícolas suficientes para a população do concelho. As espécies vegetais mais comuns, aqui, são o carvalho negral e, nos montes e encostas próximas do rio Douro e do rio Sabor, o azinheiro, o sobreiro e o zimbro.
Em termos de fauna, destaca-se o lobo de tantas “estórias” e mitos, a raposa, o javali, a lebre e o coelho. Muitas espécies de aves sobrevoam o território do concelho e dão-lhe um toque de invulgar beleza, como as aves de rapina – águias reais, gaviões, mochos ou corujas – e as aves em bandos, como as gralhas, as andorinhas, os melros azuis (muito raros em todo o País e que ostentam uma luxuriante e espectacular tonalidade), os estorninhos, as tordeiras, os pombos bravos ou as cotovias. Alguns estudiosos destas matérias dizem mesmo que em nenhum ponto do País se pode encontrar uma tal diversidade de espécies animais.
Por Mogadouro passaram os mais diversos povos. Muitos vestígios dos celtas, dos muçulmanos, dos Templários e dos Távoras, arqueológicos ou arquitectónicos, povoam ainda grande parte das freguesias do concelho. Muita coisa, no entanto, foi destruída pela febre assanhada da vingança pombalina contra a nobre família.
O seu povoamento iniciou-se, em termos documentais, a partir do IV milénio a.C.. Para trás, muito deve ter acontecido, mas até hoje não foi encontrado qualquer vestígio que o prove. O mais remoto elemento de vida humana em Mogadouro foi encontrado na Pena Mosqueira, uma anta, monumento funerário escavado em 1986 por uma equipa de arqueólogos da FLUP - Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Outros vestígios arqueológicos importantes, do período calcolítico, foram encontrados nas freguesias de Peredo da Bemposta e de Urrós. Diversos povoados pré-históricos que teriam o seu centro administrativo, se assim se pode chamar, em Castro de Avelãs.
Durante a época romana, as actuais terras de Mogadouro estiveram integradas na Asturica Augusta, capital de um dos três distritos em que estava dividido o Noroeste Peninsular. Alguns elementos desse período foram encontrados nas terras do concelho, como vários altares votivos e estelas funerárias em Saldanha, Sanhoane, Peredo da Bemposta e noutras freguesias.
Durante a Idade Média, as terras de Mogadouro desempenharam um importante papel na defesa do território português, recentemente conquistado aos mouros. Os ataques de Leão e Castela tinham também aqui uma primeira e decisiva barreira. No território do concelho, foram então edificados os castelos de Penas Roias (1166) e de Mogadouro (também no século XII). Estavam ligados às fortificações de Algoso, Miranda do Douro, Outeiro e Vimioso e constituíam a tal linha de defesa do nordeste português. Controlada a estrada mourisca, principal via de penetração dos povos inimigos, grande parte dos ataques estaria salvaguardada. Ambos os castelos chegaram até nós, ao contrário do que aconteceu em muitas outras regiões do País, mas deles vão restando cada vez menos vestígios, sendo necessário uma recuperação urgente para que a degradação não atinja o seu ponto limite.
Constituído actualmente por vinte e oito freguesias, o concelho de Mogadouro nem sempre teve a sua configuração actual. Muito pelo contrário. Algumas das povoações que hoje se integram no seu âmbito foram em tempos circunscrições independentes, com autonomia política e administrativa, que rivalizavam mesmo em importância social e económica com aquela que é hoje a sua sede. É o caso de Azinhoso, Bemposta, Castro Vicente e Penas Roias, todas elas antigas vilas, com foral, e concelhos, com pelourinhos ainda subsistentes (à excepção do de Penas Roias) e as respectivas justiças próprias e funcionários.
Parte fundamental da história de Mogadouro na Idade Moderna está associada à importante família nobre dos Távoras. Apesar do extermínio que tal família sofreu, em meados do século XVIII (acusada de atentado contra o rei D. José), pela mão de um Marquês de Pombal febrilmente anti-nobiliárquico, alguns dos seus bens podem ainda hoje ser vistos com admiração em Mogadouro. É o caso do seu palácio, apesar de se encontrar praticamente em ruínas, e a Quinta de Nogueira, perto da vila, que também pertenceu à família. A sua pedra de armas em granito, setecentistas, ainda é bem visível para quem demanda estas terras. Muitos outros solares podem no entanto ser admirados por todo o concelho, como em Castelo Branco, S. Martinho do Peso ou Tó.
Curiosos dias passaram-se nos finais do século XIX, aquando da candidatura de Trindade Coelho como deputado por Mogadouro. O eminente político haveria mesmo de publicar um livro sobre o assunto, exactamente com esse título: “A Minha “Candidatura” por Mogadouro”. No excerto apresentado, pode ler-se uma das cartas que lhe foi enviada por um grupo de apoiantes: “Assignada por pessoas de muita representação e respeitabilidade d’este concelho, acaba de ser dirigida ao nosso bom e dedicado conterrâneo, sr. dr. Trindade Coelho, um manifesto ou representação rogando-lhe que aceite o ser chefe político dos signatarios e participando-lhe que já nas próximas eleições geraes para deputados votarão no seu nome.” O partido acabaria por não ir às urnas, mas de qualquer modo ficava uma obra excelente sobre o Mogadouro de finais do século e as confusas tricas políticas da agonia monárquica.
A importância de Trindade Coelho não se resumiu, no entanto, a este incidente político. Dedicado à sua terra, como poucos, deixou obra feita. Conforme referiu João de Araújo Correia: “Era transmontano. Quem o é de raiz não pode ser discípulo de ninguém. Tem dentro de si uma Universidade. Com os olhos postos em Mogadouro, escreveu “Os Meus Amores” – livro que não é livro. É a própria terra do escritor, reproduzida pelo talento de quem lhe quer bem”.
O património deste concelho é algo que não deve ser desprezado. As belezas naturais de Mogadouro aliam-se aqui às riquezas patrimoniais das diversas povoações que o constituem. Desde o castelo, símbolo perene de um pujante passado (embora diminuído pela acção do tempo), passando pela igreja românica de Azinhoso e de Algozinho, o Santuário de S. Gonçalo ou a Igreja da Misericórdia. Tudo merece uma visita a quem vier a estas terras. Em especial destaque está a rota do românico, embora tardio, que pode ser encontrado em parte importante das freguesias do concelho.
Não incluímos na lista, propositadamente, a igreja paroquial da vila e o Convento de S. Francisco, já que ambas merecem um tratamento individualizado e mais em pormenor. A matriz inicial de Mogadouro, antecessora da actual, era de estilo românico ou até visigodo. Não se sabe quando foi substituída por aquela que podemos ver hoje no centro da freguesia e que já é referida em documentos dos inícios do século XVI. Remodelada em finais da centúria seguinte – passou a ter três naves – voltou a sê-lo no século XVII, data em que lhe foi acrescentada uma torre quadrangular, que ainda hoje existe e que na altura simbolizava um luxo a que só as grandes paróquias podiam aspirar.
As naves do templo são separadas por arcos de meio ponto bem abertos e assentes em capitéis de ordem toscana. A capela-mor, manuelina, é pequena mas tem alguns motivos de interesse, dos quais a abóbada (com os seus arcos cruzeiros) não será por certo o menor. Entre as naves e a capela-mor, um arco triunfal e um degrau para subir para a capela-mor. Três janelas renascentistas populares iluminam de forma eficaz as três naves.
Quanto ao exterior da igreja, temos como elemento de especial interesse na frontaria a torre sineira, constituída por três pisos. Toda a fachada está enquadrada por esquineiras em cantaria de granito.
O Convento de S. Francisco, referido em documentos de 1609 (nessa data os frades terceiros da Ordem de S. Francisco já ali estavam), foi ampliado ao longo desse século. Segundo o cabido de Miranda do Douro, a instituição monástica contava em meados do século com nove frades, três irmãos leigos, dois donatos e dois moços. Uma data incerta na frontaria, 1689, deve por certo indicar o ano em que as obras do actual edifício ficaram totalmente concluídas, embora muito antes estivessem já aptas a receber os frades franciscanos. Terá sido mandado edificar, reza a tradição, por D. Luis Álvares de Távora, sétimo comendador de Mogadouro. Foi extinto em 1834 – o liberalismo fora implantado definitivamente – através de um decreto de Joaquim António de Aguiar, celebrizado como “mata-frades” pela devastadora acção que levou a cabo no clero português.
Com uma planta em forma de cruz latina, inspirada às igrejas jesuítas do século XVI, o Convento de S. Francisco situa-se no centro da vila. Nem sempre foi assim. O facto de, à data da sua construção, se encontrar a trezentos metros da povoação, rodeado de campos agrícolas, demonstra bem o crescimento que a sede deste concelho registou desde então. O agradável prospecto exterior tem como principal ponto de destaque a torre sineira, quadrangular rectilínea, que termina em forma piramidal. Quanto ao interior, é criptolateral, um estilo que só mais tarde se espalhou pelo resto do País e até pela Europa. O coro conserva ainda as cadeiras onde os frades se sentavam para celebrar a sua devoção a Deus. A parte do convento, cujos claustros eram fechados e de planta quadrada, apesar das delapidações dos tempos, revela- -se ainda – em parte devido à exemplar reconstrução e aproveitamento que sofreu – como um dos mais importantes edifícios maneiristas do nordeste de Trás-os-Montes.
A Sala-Museu de Arqueologia de Mogadouro reúne em plena Vilaça uma memória colectiva difícil de desprezar. Ao mesmo tempo que salva um conjunto de peças que dessa forma estaria em perigo de desaparecer ou de partir para outras paragens, dá a conhecer a todos os habitantes da região, e até aos que são de fora, o que foi Mogadouro no passado, quais foram os seus primeiros habitantes e que vestígios da sua presença eles nos deixaram.
Em visita por terras de Mogadouro, José Saramago percebeu bem o espírito da região. Em “Viagem a Portugal”, deixou as suas impressões, as suas memórias: “O viajante é natural de terras baixas, muito lá para o sul, e, sabendo pouco destes montes, esperava-os maiores. Já o disse, e torna a dizer. Não faltam os acidentes, mas são tudo colinas de boa vizinhança, altas em relação ao nível do mar, mas cada qual ombro com ombro da qual está próxima e todas perfiladas. Em todo o caso, se alguma se atreve um pouco mais ou espigou de repente, então sim, tem o viajante uma diferente noção destas grandezas, não tanto pelo que está perto, mas por aquela vultosa serra ao longe. Chegando-se-lhe, percebe-se que a diferença não era assim tão grande, mas bastou para promessa de um momento.
Esta linha férrea que vai ao lado da estrada parece de brincadeira, ou restos de solene antiguidade. O viajante, cujo sonho de infância foi ser maquinista de caminhos-de-ferro, desconfia que a locomotiva e as carruagens são desse tempo, objectos de museu a que o vento que vem dos montes não consegue sacudir as teias de aranha. Esta linha é a do Sabor, do nome do rio que se torce e retorce para alcançar o Douro, mas onde esteja o gosto da traquitana, isso não descobre o viajante.
Sem dar por que passou a serra, o viajante chega a Mogadouro. A tarde vai descaindo, ainda luminosa, e do alto do castelo se podem deitar contas ao trabalho dos homens e das mulheres deste lugar. Todas as encostas em redor estão cultivadas, é um jogo de canteiros e talhões, uns enormes, outros mais pequenos, como se servissem apenas para preencher as sobras dos grandes. Os olhos repousam, o viajante estaria totalmente regalado se não fosse o remorso de ter feito fugir do recato das muralhas um casal de namorados que estava tratando dos seus amores. Aqui em Mogadouro ficou ilustrado, uma vez mais, o antigo conflito entre acção e intenção.
É em Azinhoso, aldeiazinha perto, que começa a nascer a paixão do viajante por este românico rural do norte. O risco das minúsculas igrejas não tem ousadias, é receita trazida de longe e ligeiramente variada para ressalvar o prestígio do construtor, mas muito se engana quem cuide que, tendo visto uma, viu todas. Há que dar-lhes a volta com todo o vagar, esperar calado que as pedras respondam, e, se houver paciência, de cada vez sairá dali repeso o viajante, este ou qualquer outro. Repeso de não ficar mais tempo, pois não está bem demorar um quarto de hora ao pé duma construção que tem setecentos anos, como neste caso de Azinhoso. Sobretudo quando começam a aproximar-se pessoas que querem conversar com o viajante, pessoas que justamente conviria ouvir porque são as herdeiras desses sete séculos. O pequeno adro está coberto de erva, o viajante assenta nela as suas pesadas botas e sente-se, não sabe porquê, reabilitado. Por mais que pense, é esta a palavra, não há outra, e não a sabe explicar.
Daqui a pouco será noite, que no Outono vem cedo, e o céu cobre-se de nuvens escuras, talvez amanhã chova. Em Castelo Branco, quinze quilómetros ao sul, o ar parece ter passado por uma peneira de cinza, só na cor, que de pureza até os pulmões estranham. À beira da estrada há uma comprida fachada de solar, com grandes pináculos nos extremos”.
São afinal terras rurais, com tudo o que isso tem de bom, mas muito progressivas, que mantêm incólumes os seus hábitos mais tradicionais e os seus mais remotos costumes. Muito já se perdeu, é certo, como grande parte do artesanato que povoava todas as freguesias e que hoje se resume a uns quantos artífices do barro e da tecelagem: linho, seda, rendas, bordados e colchas de renda.
Pedaço saboroso da etnografia do concelho são também as inúmeras festas, procissões e romarias que acontecem todos os anos, em especial nos meses do Verão, em homenagem às santidades da predilecção do seu povo. E pode-se dizer que, aqui, há para todos: S. Brás, S. Pedro, S. Bento, S. João, Santa Catarina, etc. O paganismo, no entanto, também tem o seu lugar, até porque a vida quer-se feita do amor a Cristo, sim, mas também do amor aos santos prazeres que nos fazem viver com mais alegria o dia-a-dia. Assim, em festas como o “Velho Chocalheiro”, em Bemposta, o “Farandulo” de um “indivíduo” de cara alegre e risonha que se chama Tó, ou das Festas da Bexiga em Bruçó. Festas que, apesar de nada terem de religioso, são o “Ai Jesus!” das respectivas populações.
Famosa é também a feira dos Gorazes, na sede do concelho. Registada na documentação oficial desde há vários séculos, foi o primeiro evento deste tipo na região. Com lugar nos dias 15 e 16 de Outubro de cada ano, deve o seu nome, segundo alguns autores, ao facto de ali se vender com grande abundância, certamente no início da feira, aquele animal tão saboroso. Refere o Pe. António Rodrigues Mourinho (Júnior) em relação a este assunto: “Quem trazia o goraz para Mogadouro? Só os almocreves. Em que condições de conservação viria o peixe para Mogadouro? Salgado? Seco? Que em Portugal o povo sempre se alimentou de peixe seco ou salgado, mas principalmente seco, é um facto. (...) O peixe a uma distância de trezentos quilómetros, mesmo salgado e, neste caso, o goraz não parecia fácil aguentar-se sem perigo de corrupção”. Outros autores, no entanto, como Viterbo, encontram a origem da palavra no nome pessoal Gorazil ou Gouarazel.
Da (saborosa) gastronomia de Mogadouro, destaca-se aqui a célebre posta mirandesa, que é afinal o mesmo que dizer vitela assada na brasa, o folar da Páscoa e, no fundo, de todo o ano, os suculentos enchidos, com o presunto em posição de inquestionável liderança, o queijo e o mel. Iguarias dos deuses, que só eles nos poderiam ter ensinado coisas tão saborosas. Só por isso vir a Mogadouro já mereceria a pena!
(Texto: minhaterra.com)

Alfândega da Fé

mjfsantos 27/12/2007 @ 13:45

Alfândega da Fé - CoretoAlfândega da Fé - Igreja



Alfândega da Fé - Brasão

Alfândega da Fé é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Bragança, Região Norte e subregião do Alto Trás-os-Montes, com cerca de 2 000 habitantes.

É sede de um município com 321,96 km² de área e 5 963 habitantes (2001), subdividido em 20 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Macedo de Cavaleiros, a leste por Mogadouro, a sul por Torre de Moncorvo e a oeste por Vila Flor.

(wikipedia)



Alfândega da Fé - Vista Geral

Alfândega da Fé - Câmara

História do Concelho

Alfândega (da Fé) é um nome de origem árabe que a localidade deve ter adquirido entre os séculos VIII-IX. É muito possível que anteriormente a este período já existisse algum povoado de origem Castreja, o que não será de admirar, até porque na área do concelho existem muitos vestígios arqueológicos desse e até de períodos anteriores.

No entanto, a transformação em concelho medieval só aconteceu com a carta de foral de D. Dinis, datada a 8 de Maio de 1294, o qual viria a ser confirmado por D. Manuel, em 1510.

Em 1320 o mesmo rei D. Dinis mandou reconstruir o seu castelo, que era anterior ao primeiro foral e provavelmente construído pelos mouros. Este castelo desapareceu com o tempo. O recenseamento do ano de 1530 já indica o castelo como “derrubado e malbaratado” e nunca mais foi recuperado, muito embora o Tombo dos Bens do Concelho de 1766 ainda identifique os “antigos muros” pelo que, a Torre do Relógio, actual ex-libris da vila, e que fica na zona conhecida por Castelo, parece ser o que resta do antigo castelo medieval.

Na sede do concelho merecem ainda uma visita a Capela da Misericórdia, a Capela de S. Sebastião, (inicialmente ermida) cujo campanário actual veio da casa dos Távora, de que resta apenas, do original, a porta de entrada da capela familiar, o portal da mesma casa e a Capela dos Ferreiras, com brasão picado, a identificar ligações àquela família.

Sendo um concelho antigo e para mais com um nome de origem árabe, é fácil de compreender porque razão o imaginário popular gira fundamentalmente em torno das lendas das “mouras encantadas”, não havendo quase freguesia nenhuma onde esse tipo de situações não nos apareça.

Contudo, existem duas lendas mais estruturadas e, de certa forma, com ligação a factos históricos, como é o caso da “Lenda dos Cavaleiros das Esporas Douradas”, que pretende explicar uma parte do nome da vila e marca a resistência dos cristãos face à ocupação muçulmana e a “Lenda de Frei João Hortelão”, relacionada com uma personagem real e que, como veremos adiante, tenta explicar a existência, na localidade de Valverde, de uma importante cruz processional.

(cm-alfandegafe)



Ribeira de Pena

mjfsantos 26/12/2007 @ 13:17

Ribeira de Pena - VistaRibeira de Pena - VistaRibeira de Pena - IgrejaRibeira de Pena - Casa da Ribeira

(Fotos: Portuguese_eyes)



 HISTÓRIA

O concelho de Ribeira de Pena proporciona ao visitante múltiplas leituras da sua história, pela exploração de um percurso civilizacional da pré-história até aos nossos dias.

Da Pré- História à Romanização...
O povoamento inicial era pouco significativo, não ultrapassando a sedentarização de pequenos grupos de carácter familiar, que se terão fixado apenas com o objectivo de encontrarem alimentos e abrigo. O que sabiam estas gentes, aplicaram-no no lugar de Lamelas, ao marcarem o granito com figuras geométricas e símbolos antropomórficos, numa tradição que se prolongou até a idade do Ferro.

As terras férteis da região, propícias ao desenvolvimento da agricultura e da pastorícia, favoreceram a progressiva fixação dos povos que por aqui passaram, permitindo um conhecimento mais alargado sobre o povoamento de Ribeira de Pena. Posteriormente, testemunhos da presença romana, espalhados um pouco por todo o concelho, evidenciam uma organização do território e das suas estruturas rurais, nomeadamente através da construção de pontes, abertura de vias e novos modos de cultivar a terra.

Da Idade Média à Idade Contemporânea...
Ribeira de Pena, povoação antiga e anterior à fundação da monarquia, só em 29 de Setembro de 1331 os seus moradores receberam, do rei Afonso IV, o 1° foral para ali fazerem "pobra" (povoamento). Posteriormente, o território designado por "Terra de Pena" foi domínio senhorial de D. Nuno Álvares Pereira, da Casa de Bragança e da Casa Azevedo até 1517, ano em que D. Manuel I lhe concedeu novo foral, fazendo reverter para a Coroa os direitos de jurisdição: rendas, foros e pensões.

Em 1853, o concelho de Cerva, antigo município com foral outorgado por D. Manuel I em 1514, foi extinto. Como consequência, o território ribeirapenense foi alargado, dele passando a constar seis freguesias: Salvador, Sto. Aleixo de Além-Tâmega, Sta. Marinha e Cerva, Limões e Alvadia, cuja sede se localizava no lugar de Venda Nova (Largo do Pelourinho).

Em 1895, foi-lhe anexado a freguesia de Canedo, que pertencera ao concelho de Boticas, ficando assim constituído o território com a configuração que actualmente mantém e com sede na freguesia de Salvador.

(cm-rpena)



Ribeira de Pena - Brasão

Ribeira de Pena é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Vila Real, região Norte e subregião do Tâmega, com cerca de 2 600 habitantes.

É sede de um município com 217,66 km² de área e 7 412 habitantes (2001), subdividido em 7 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Boticas, a leste por Vila Pouca de Aguiar, a sul por Vila Real, a sudoeste por Mondim de Basto e a oeste por Cabeceiras de Basto. O feriado municipal celebra-se a 16 de Agosto.

(wikipedia)



Mondim de Basto

mjfsantos 25/12/2007 @ 00:03

Mondim de Basto - CentroMondim de Basto - JardimMondim de Basto - VilaMondim de Basto - CruzeiroMondim de Basto - Vila

(Fotos: O Leme)



Mondim de Basto - Brasão

Mondim de Basto é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Vila Real, região Norte e subregião do Tâmega, com cerca de 3 500 habitantes.

É sede de um município com 171,87 km² de área e 8 574 habitantes (2001), subdividido em 8 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município de Ribeira de Pena, a sueste por Vila Real, a sudoeste por Amarante, a oeste por Celorico de Basto e a noroeste por Cabeceiras de Basto.

Forma a unidade subregional das Terras de Basto juntamente com os concelhos de Celorico de Basto, Cabeceiras de Basto e Ribeira de Pena.

(Wikipedia)


Santa Marta de Penaguião

mjfsantos 24/12/2007 @ 09:54

Santa Marta de Penaguião - Brasão

Santa Marta de Penaguião é uma vila portuguesa no Distrito de Vila Real, Região Norte e subregião do Douro, com cerca de 1 300 habitantes.

É sede de um pequeno município com 69,98 km² de área e 8 569 habitantes (2001), subdividido em 10 freguesias. O município é limitado a norte e leste pelo município de Vila Real, a sul pelo Peso da Régua e a oeste por Amarante.

(Wikipedia)




Santa Marta de Penaguião - IgrejaSanta Marta de Penaguião - MunicipioSanta Marta de Penaguião - Vista

HISTÓRIA

 

Do passado mais remoto a romanização. A antiguidade histórica de Santa Marta de Penaguião é afirmada por vestígios de Castros nas freguesias de Fontes, Lobrigos, Cumieira, Louredo e Medrões. Todas estas freguesias existiam já nos primórdios da nacionalidade.

Alguma toponímia pode levar-nos muito mais longe no tempo, aos primitivos povos sedentários, ..., não porém de forma inequívoca.

O Concelho de Santa Marta de Penaguião é o prolongamento temporal das Terras de Penaguião, espécie de diviso administrativa que na baixa idade média (sécs. XI -XIV) compreendia o território existente entre os rios Douro e Corgo, a Serra do Marão e as Terras de Panóias (Vila Real). Compreendia assim a área actual do concelho de Santa Marta de Penaguião e parte significativa dos concelhos de Peso da Régua e Vila Real.

No reinado de D. Afonso Henriques era governador destas terras D. Moço Viegas, filho de D. Egas Moniz.

D. Sancho I concede foral a Santa Marta em 1202; (fac-similado do documento existente nos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo, A.N.T.T., em Lisboa).

D. Manuel I vem em 15 de Dezembro de 1519 a conceder nova Carta de Foral a Penaguião; (fac-similado do documento igualmente existente nos A.N.T.T.)

Os forais, documentos escritos e por isso inequívocos, constituem insubstituíveis recursos para interpretação do passado. Neles eram fixados direitos, privilégios e deveres dos moradores. O período de ouro, os séculos XVII e XVIII, e a crise que se lhe seguiu.

De grandes rendimentos nos falam as construções dos séculos XVII e XVIIl, para além de outra documentação que no-lo certifica; boas casas, solares e igrejas, património arquitectónico que hoje podemos admirar neste concelho.

Com a valorização dos vinhos exportados, o cultivo da vinha foi incrementado, os vinhedos passaram a cobrir todas as encostas, e mais que houvesse, e os rendimentos subiram em flecha.

A euforia trouxe o oportunismo, as misturas com vinhos de fora da região, e a crise tem lugar com o desinteresse causado pela redução da qualidade.

A 10 de Setembro de 1756 é ... criada a Companhia Geral de Agricultura das Vinhas do Alto Douro, no reinado de D. José, por grande influência de um filho de Santa Marta, Frei João de Mansilha, junto do Marques de Pombal.

Com a Companhia Geral surge um "nom d ' appelation" para esta área produtora de "Vinho do Porto", antes que outra Denominação de Origem surgisse na Europa.

Santa Marta de Penaguião foi pioneira. E a disciplina começou a imperar na Região Demarcada do Douro. A extinção e a Restauração do concelho de Santa Marta de Penaguião. No século XIX foram várias as reformas administrativas. Em cada uma delas houve extinção e criação de concelhos.

(cm-smpenaguiao)


Sabrosa

mjfsantos 23/12/2007 @ 09:26

Sabrosa - Vista

(Foto: Portuguese_eyes)



Sabrosa - Brasão

Sabrosa é uma vila portuguesa no Distrito de Vila Real, Região Norte e subregião do Douro, com cerca de 1 200 habitantes.

É sede de um município com 156,45 km² de área e 7 032 habitantes (2001), subdividido em 15 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Vila Pouca de Aguiar, a leste por Alijó, a sueste por São João da Pesqueira, a sul por Tabuaço e Armamar e a oeste pelo Peso da Régua e por Vila Real. Foi criado em 1836 por desmembramento de Vila Real.

(Wikipedia)



Sabrosa - CamaraSabrosa - VistaSabrosa - Vista da Igreja



HISTÓRIA

A Região onde se implanta o Concelho de Sabrosa mostra sinais evidentes de ter sido habitada desde tempos remotos.
Há vestígios que datam do Neolítico, como sejam os numerosos monumentos funerários, antas ou dólmenes, de tipo mamoa.
A cultura Castreja (Idade do Ferro) está representada por alguns Castros, povoações fortificadas no cume dos montes, defendidas por fossos e linhas de muralha.
Destes Castros, é justo salientar o da Sancha, próximo da sede do Concelho, que posteriormente sofreu um processo de romanização, documentado pela descoberta de moedas e outro espólio inegavelmente romano.
Da época da Romanização, subsistem ainda alguns restos de estradas em vários pontos do Concelho.
Finalmente, da Idade Média, restam muitas sepulturas paleocristãs escavadas na Rocha, em diversos lugares.
A maioria das povoações hoje integradas no Concelho remonta também à Idade Média, sendo mesmo algumas delas anteriores à fundação da nacionalidade, como por exemplo Provesende.

Os primeiros séculos de existência dessas povoações, contudo, estão praticamente indocumentados, para além de algum foral dado pelos reis povoadores do início da dinastia Afonsina. Mas no século XV é já possível rastrear na região uma classe nobre, de apreciáveis privilégios e valimento. Foi no seio duma destas famílias que nasceu naquele século o grande navegador Fernão de Magalhães, a quem se devem os planos e execução parcial da primeira viagem de circum - navegação do planeta.

A existência e poderio dessa classe nobre são ainda hoje recordados por inúmeros solares e casas brasonadas, espalhadas um pouco por todo o Concelho, a começar pela casa dos Pereiras, onde terá nascido Fernão de Magalhães. Outros exemplos poderão admirar-se em Sabrosa, Provesende, Celeirós, Vilarinho de S. Romão, Gouvães, Gouvinhas, Paradela, Paços, S. Lourenço de Ribapinhão, Parada do Pinhão etc.
Esta nobreza reforçou o seu poder e a sua influência no século XVIII ( de que datam a maioria dos solares referidos), em virtude da prosperidade económica dessa época, baseada na produção do vinho e estimulada pela criação da Companhia da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro, e a primeira região demarcada do Mundo, em 1756, pelo Marquês de Pombal. Pois nas terras de Sabrosa nasceu um dos mais conceituados vinhos mundiais, o vinho do Porto.
Em 2001 as paisagens do Alto Douro Vinhateiro, que inclui a parte sul do concelho de Sabrosa, foram elevadas pela UNESCO a património mundial da humanidade.

Sabrosa foi elevada a freguesia em 1826.O Concelho foi criado por Decreto de 06 de Novembro de 1836, tendo sido concedido em 12 de Maio de 1837 o Brasão d' Armas.


(Texto:cm-sabrosa)