Cidade de Miranda do Douro

Miranda do Douro (em mirandês Miranda de l Douro) é uma cidade portuguesa, pertencente ao Distrito de Bragança, Região Norte e subregião do Alto Trás-os-Montes, Terra de Miranda, com cerca de 2 100 habitantes.
É sede de um município com 488,36 km² de área e 8 048 habitantes (2001), subdividido em 17 freguesias. O município é limitado a nordeste e sueste pela Espanha, a sudoeste pelo município de Mogadouro e a noroeste por Vimioso.
Nesta região, além do português, fala-se sua própria língua: a língua mirandesa.




Pauliteiros de Miranda
História do Concelho
Miranda do Douro, Cidade da província de Trás-os-Montes, sede de concelho e do distrito de Bragança. Está situada na parte mais meridional da província, sobre a margem direita do rio Douro, que a separa da província de Leão, Espanha, em terreno montanhoso e acantilado.
Diz o padre António Carvalho da Costa, Coreografia Portuguesa, com outros escritores Portugueses que Miranda foi uma. Cidade importantíssima no tempo dos romanos, que lhe deram o nome de Conticum, depois de Paramica, e por fim de Seponcia. Conquistada pelos Árabes em 716, estes deram-lhe o nome de Mir-Andul, que depois se corrompeu no actual de Miranda.
Com as guerras entre os Lusitanos e os Árabes foi esta cidade tomada e destruída, de forma que no tempo do conde D. Henrique, estava em completo estado de ruína e quase deserta. Foi nesta miserável situação que D. Afonso Henriques a encontrou, o qual vendo a importância militar e estratégica deste ponto, não só como por ser fronteiro aos turbulentos Leoneses, com quem teve várias encarniçadas lutas, tratou de a tomar uma praça de guerra, construindo-lhe um forte Castelo e uma pequena cerca de muralhas, em 1136; nesse mesmo ano, a 9 de Novembro, lhe deu foral com muitos privilégios, sendo um dos principais o de ser couto do reino ou de homiziados, para atrair mais facilmente povoadores.
Este foral e seus privilégios foram depois confirmados em Coimbra, por D. Afonso, no ano de 1217. Convidados pelos amplos privilégios e isentos do seu foral, a população foi crescendo tanto em torno do castelo, que o mesmo D. Afonso Henriques, ou seu filho D. Sancho I, mandou construir uma outra cerca de muralhas, defendidas por algumas torres e torreões.
Quando El Rei D. Dinis subiu ao trono em 1279, as fortificações de Miranda estavam bastante deterioradas, quer pela sua má construção, quer pelas continuas guerras com os Leoneses, e o soberano mandou reedificar a povoação dando-lhe novo foral, em Santarém, a 18 de Dezembro de 1286, e a categoria de Vila, aumentando os privilégios antigos.
Um dos privilégios deste foral era o de Miranda nunca sair da coroa. O castelo estava tão desmantelado que foi preciso reconstruí-lo desde os fundamentos. As muralhas também foram ampliadas.
O castelo tinha uma porta e um postigo, e as muralhas três portas. D. Fernando I fez cunhar moeda em Miranda, usando a letra M como distintivo, posta em cima do escudo das quinas. Mais tarde, El-Rei D. Manuel deu-lhe foral novo em Santarém, no 1º de Junho de 1510. Cessaram as guerras com os castelhanos e leoneses, e a paz trouxe consigo o desenvolvimento da indústria, comércio e apicultura, nas povoações de uma e outra fronteira.
Os Espanhóis, tornando-se nossos amigos, concorreram muito para a prosperidade de Miranda, que era o centro das suas transacções com Portugal, e Miranda tornou-se florescente. No princípio do século XVI, o Arcebispo de Braga tinha um território vastíssimo, pois abrangia a maior parte da província do Minho e toda a de Trás-os-Montes, o que causava vários transtornos, prejuízos e delongas, nos negócios.
Sendo D. João III aclamado em 1521, por morte de seu pai El-Rei D.Manuel, e sendo-lhe apresentados todos os inconvenientes da grande extensão do arcebispado de Braga, resolveu criar um bispado em Trás-os-Montes, e impetrou do pontífice Paulo III a bula para a criação da nova diocese, que lhe foi concedida pela bula de 22 de Maio de 1545, sendo o seu primeiro bispo D. Toribio Lopes, que era esmoler da rainha D. Catarina. Nesse mesmo ano D. João III honrou a vila com a categoria de cidade, dando-lhe novos privilégios e foros, entre os quais se contava a prerrogativa de enviar procuradores às cortes, destinando-se-lhe para assento o 4º banco.
Supõe-se que o brasão da cidade foi concedido pelo dito soberano, consistindo num escudo coroado, tendo ao centro um castelo com três torres e sobre a torre do meio a lua em quarto crescente, com as pontas para baixo. A fortaleza, dizem, que comemora a fundação da cidade, que teve princípio no seu castelo; e a lua em crescente querem que signifique a esperança, ou o prognóstico, do engrandecimento sucessivo da povoação.
Miranda ficou sendo a capital da província de Trás-os-Montes, sede de bispado, residência do bispo, cónegos e mais autoridades eclesiásticas, bem como das militares e civis. Tem muitos e grandiosos edifícios públicos e particulares. Foram alcaides mores do castelo até 1759 os marqueses de Távora, que nesse ano sofreram o suplício, sendo-lhe confiscados todos os seus bens.
Na porfiosa luta da Restauração da nossa independência no século XVII, durante 27 anos muito padeceu a cidade de Miranda. Foi esse o primeiro, mas terrível golpe na sua prosperidade. Estando situada na raia de Espanha, por vezes os castelhanos ali entraram e fizeram grandes saques.
O seu comércio estava paralisado, a sua indústria nula, e os lavradores só se empenhavam em defender a cidade do furor dos inimigos. Em 1644 D. João IV mandou reedificar as antigas muralhas; o castelo apropriou-se ao uso da artilharia, para o que se demoliram as quatro torres que existiam nos quatro ângulos do castelo, até ficarem na altura dos lanços do muro que as unia. Na guerra da sucessão de Espanha, travada entre esta nação e a França, por uma parte; a Inglaterra, Portugal, Holanda e Alemanha, da outra, foi a cidade de Miranda tomada por traição no dia 8 de Julho de 1710, sendo o sargento-mór Pimentel, governador da praça, quem a entregou ao general, marquês de Bay, por 600 dobrões, ficando a guarnição prisioneira.
Em 1711, porém, foi esta afronta vingada por D. João Manuel, conde D'Atalaia, que depois de um curto mas rigoroso cerco, tomadas as obras de defesas exteriores, e aberta uma brecha na muralha, fez render a praça por capitulação em 15 de Abril, ficando a guarnição castelhana prisioneira. Em 1762 rebentou a guerra entre a Espanha e a Inglaterra, por causa do Pacto da Família. Portugal não cedeu às intimações de Castela e de França, e tomou o partido da Grã-Bretanha, pelo que a Espanha nos declarou guerra em 15 de Junho.
O general Castelhano marquês de Sarria invadiu com um poderoso exército a província de Trás-os-Montes, devastando-a, saqueando-a, e tornando-se senhor de quase toda, e marchando sobre o Porto. Enquanto a cidade esteve no domínio castelhano sofreu infinitas vexações. O Duque de Lafões foi nomeado general em chefe; o marechal-general conde de Lippe chefe do estado maior, e os castelhanos foram derrotados em várias batalhas, até que em 10 de Fevereiro de 1763 se assinou a paz entre Portugal, Espanha, França e Inglaterra.
Miranda ia caindo em grande decadência, e tudo concorria para a reduzir a uma povoação insignificante. Na grande luta que o país sustentou no princípio do século XIX contra o poder de Espanha da França, que pretendiam avassalar e dividi-lo pelo célebre Tratado de Fontainebleau de 27 de Outubro de 1807, Miranda e toda a província de Trás-os-Montes foram vítimas de invasões avassaladoras dos Castelhanos e dos Francesas, e também glorioso teatro de heróico esforço, que secundando o grito da independência levantado em outras terras do reino, que tanto contribuiu para libertar o país dos seus opressores.
Miranda não só perdeu a sede do bispado, como a comarca, pois o julgado de Miranda pertenceu muitos anos à comarca de Mogadouro, e só em 1855 é que tornou a ser cabeça de comarca. A antiga correição de Miranda compreendia duas cidades Miranda e Bragança, seis vilas e três concelhos.
No dia 8 de maio de 1762 foi esta cidade vítima de uma horrorosa catástrofe, uma explosão de 1.500 Arrobas de pólvora que derrubou o castelo e muitas casas, ficando sepultadas nas ruínas perto de 400 pessoas.
Ignora-se se a explosão foi acidental ou de propósito, mas é tradição em Miranda que o governador do castelo, comprado pelos Espanhóis, lançara fogo ao paiol da pólvora, e que depois da explosão fora visto fora das muralhas, em direcção do campo inimigo.
A única igreja paroquial da cidade, é o templo de N. Sra. da Assunção, ou de Santa Maria Maior, que fica situado na parte meridional da cidade, em sítio sobranceiro ao rio Douro. É um templo de três naves, fundado por D. João III para servir de catedral, e que durante quase dois séculos gozou dessa honra. Lançou-se-lhe a primeira pedra em 24 de Maio de 1552. Na frente tem um espaçoso adro, que acompanha também pelo lado Oriental. A arquitectura, ainda que pesada, é majestosa interiormente, e em cada lado do frontispício tem uma torre maciça de cantaria, assim como é todo o edifício. No interior é de uma grande elegância e riqueza.
É admirável o labirinto das arcarias e pilares que lhe sustentam a abóbada, e os seus doze altares com primorosas obras de talha, adornados de belos quadros a óleo em tela e em madeira. O altar-mor é ainda digno de menção, porque contém 56 imagens a pinturas de santos, parte das quais são de grande mérito artístico. As cadeiras dos cónegos, apesar de já muito danifìcadas, são também de notável magnificência.
Em Fevereiro de 1875 foi aberta à exploração a estação telegráfica de Miranda do Douro. Além da igreja paroquial, os seus principais edifícios são: A Misericórdia, o hospital e o seminário, construído pouco antes da extinção do bispado de Miranda. Dentro e fora da cidade há capelas. A cidade não tem fontes dentro dos seus muros, mas tem poços. Em 1644 construiu-se uma fonte junto da cidade.
O clima é de tal forma áspero, que é tradicional dizer-se: Em Miranda há nove meses de Inverno e três de inferno. Os de Inferno são os de Verão, em que o calor se torna verdadeiramente insuportável. No inverno são frequentes grandes nevadas. Os terrenos são férteis.
O principal comércio do concelho é gado vacum, que constitui a famosa raça mirandesa, gado lanígero, cereais, vinho, e cortiça, minério, mármores e alabastros. Também constitui grande indústria em Miranda do Douro o curtimento de couros, e tecidos de saragoças e buréis. Deste pano grosseiro se fazem em Trás-os-Montes uns célebres capotes, chamados Honras de Miranda. É uma espécie de gabão, adornado de muitos recortes, tiras e bordados, e notavelmente extravagante
Os costumes e usos dos mirandeses são muito característicos. O seu alimento normal é a carne de porco, o pão de centeio, leite, vinho, ovos, legumes e batatas. Para o aperfeiçoamento muscular da mulher concorre muito o dedicarem-se aos serviços agrícolas, especialmente à arada. A Mulher mirandesa é activa, humilde, boa serva e inteligente. Mal conhece outras distracções que não seja o trabalho campestre, do tear de linho e de burel. Em dias de festa vai às cerimónias da igreja, vai ver as danças dos pauliteiros e bailar as abas verde, dança Espanhola em forma de sá rouge, terminando numa costelada recíproca. A pé ou a cavalo numa burrinha para qualquer sítio que vá, não deixa sempre de fiar linho ou lã.
Usa vestuário despretensioso, e para os trabalhos rurais traz polainas de burel. A saia mirandesa é perfeitamente típica. Fazem-na de tecido de lã preta (enxerga), com uma infinidade de pregas dispostas uniformemente por tal feitio, que ao andar dão a impressão de um leque em contínuo abrir e fechar. Usa avental do mesmo tecido (mandil). O colete é em geral de cotim escuro, deixando ver, com certa arte, por entre o cordão que o aperta em forma de zigue-zague, uma faixa (cinta) que lhe cinge o tronco, e que é escarlate não sendo viúva, pois que nesse caso a faixa é roxa ou preta. A camisa é de linho com peitilho e colarinho exactamente como os dos homens; diferençam-se na medida em que estas tem pregas e punhos, e a delas tem manga lisa. Usa arrecadas não grandes, a que chamam africanas.
Na cabeça usa um lenço Espanhol de algodão branco com grandes ramos escuros ou vermelhos ou ramagens amarelas, o qual mede mais de um metro quadrado. Dobra-o diagonalmente, e cinge-o, seguro com um nó (lançada), com as duas pontas para um lado; os das viúvas são escuros, com ramos pouco perceptíveis.
Para ir à missa põe na cabeça uma mantilha curta de pano preto, que lhe não chega à cintura. O homem veste de pardo (burel), sapatos sem graxa, calças um pouco apolainadas com 4 a 6 centímetros de abertura em baixo, na costura lateral. A gente mais antiga traz calção com alçapão em vez de carcela, e usa polaina de burel. O colete e a jaqueta são curtos e do mesmo tecido da saragoça. Raras vezes trazem chapéu.
Para o frio e para a água usam os capotes acima citados, tendo pendente do capuz, caindo sobre as costas um apendículo muito original que lhes chega até à cinta, e tem a forma de um bacalhau. É todo cheio de lavores, a seda e froque, muito pesponteados à mão, tendo bordada a data em que foi feito e o nome do dono. Mesmo com o capote usam de Inveno umas gorras de forma cónica, que engenhosamente estão sempre dobradas e têm umas amostras em forma de pala atrás - à frente, verde roxa ou azul conforme as freguesias.
Os mirandeses tem uma linguagem característica, a língua mirandesa é reconhecida através da Lei nº 7/99 de 29 de Janeiro.
Tags: património fotos história bragança mirandadodouro
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Esta página está excelente e no próximo fim de semana irei com um grupo de antigos Combatentes visitar Miranda do Douro - Bragança e Mirandela. Solicito informação seguinte: Sábado dia 12 podem ser visitados em Miranda - Catedral e Museu??? Em que horários???
Muito Obrigado.
J. Azevedo